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Clube dos niilistas
Inédito


Em essência, o fotógrafo e o escritor 
participam do mesmo processo, 
apenas utilizam ferramentas distintas.
Cortázar


O quarto trabalho individual do autor é uma convergência de suas principais linguagens de expressão: literatura e fotografia. Trata-se de um conjunto de contos que dialogam com imagens captadas por ícones do meio fotográfico, a exemplo de Gordon Parks, Vivian Maier, Voltaire Fraga e Miguel Rio Branco. São narrativas que exploram o desencanto e a descrença de personagens errantes diante de engrenagens sociais opressoras e desumanizadas. Histórias que revelam a loucura originada pela memória afetiva da infância, o ego em plena queda livre, subempregos que humilham tanto quanto o próprio desemprego, amores fadados à incompletude. Nesse clube, os cenários por onde um refugo de 'associados' transita à revelia, são os não lugares que nos intoxicam retroalimentando a nossa paranoia e perversidade cotidiana. Em cada conto, além do flerte explícito com uma espécie de melancolia resignada, há também nuances de uma frase desconcertante de Stefan Zweig, que pelo contexto social e político em que vivemos, soa assustadoramente profética: cada novo dia que vem raiar em nossa janela pode esmagar nossa vida.